de macau, china

Posted on January 11, 2020

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macau, pátio da claridade

há três anos passei pelo pátio da claridade e lembro-me de pensar como aí o espaço exterior servia de extensão da casa e da vida das pessoas – as portas estavam abertas, crianças andavam de triciclo, uma mulher matava uma mosca, o tempo, a tarde, entre máquinas de lavar a roupa, estendais, fogões, peças de automóveis, armários, plantas, alguidares.
na altura, entrevistei um arquitecto que defendia a preservação destas estruturas ameaçadas – as casas-pátio. “é um elemento de flexibilização do espaço e há várias actividades que fazem mais sentido serem feitas ao ar livre num contexto semitropical como o de macau”, disse-me.
as casas-pátio foram construídas sobretudo no século XIX no antigo bazar chinês e são prevalentes nesta zona do porto interior. do ponto de vista arquitectónico, juntam elementos chineses com outros de influência europeia.
lembro-me que quando aqui estive já se discutia um plano de requalificação para esta unidade habitacional, e que talvez metade das 48 residências estivesse desabitada.
as portas foram entretanto trancadas com correntes e cadeados, e essas pessoas e objectos só continuam a existir no pátio da claridade numa série de fotografias a preto e branco que ali está exposta.

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